ANO NOVO DE NOVO, por Daltro Paiva.

É janeiro, ano novo de novo, agora e sempre. Sempre até quando? Até quando der. E no meio disso estamos nós, inovando, renovando, criando, recriando, crescendo e amadurecendo ou não. Pois também tem o outro lado. Repetimos erros, erramos erros novos, ficamos presos em gaiolas que nós mesmos criamos, ora douradas, ora não, ora bolas. Cometemos equívocos terríveis e nem sempre somos capazes de repará-los, por diversos motivos, mas faz parte, é a fragilidade de nossa condição humana. Ainda assim, podemos tirar algo bom de tudo isso, depende apenas da postura que adotarmos, de estarmos dispostos a refletir, do que vamos fazer a partir de então e de sermos capazes de pagar o preço que as boas mudanças exigem.

É assim que o filho chora e mãe não vê, no acerto de contas com a consciência. Até vê, mas não pode fazer nada senão orientar e apoiar, o que já é muito. Essa é uma questão que cada um tem que dar conta por si próprio. Tomou conta da vida, amigo? Então dê conta. É que refletir, quando não se trata de nos arrumarmos em frente ao espelho ou verificarmos se saímos bem na selfie, costuma doer. Esse olhar verdadeiramente nos próprios olhos, encarar a si mesmo e saber quem se é – eis o desafio. Ano novo, época clichê para isto. Mas repare bem, clichê só é clichê porque funciona. Então, aproveitemos essa renovação cíclica que acontece a cada doze meses para refletirmos. Sobre o que? Aí é com você! Já é clichê demais um texto sobre ano novo e reflexões. As temáticas sobre as quais você deve se debruçar competem a você e a mais ninguém. Mas, já que estou aqui, sugiro que pense nas coisas que te toquem a alma. Sim, a alma. É que uma vez me perguntaram: – “a alma?”. Dê conta disto, é preciso ter poesia para compreender.

É janeiro, ano novo de novo, agora. A hora é agora. Não importa o mês, se janeiro, dezembro ou setembro, se faz calor ou frio. Pouco importa se o momento é bom ou ruim, se estamos com problemas ou não, sempre haverá problemas. Veja bem, não disse que não importa, eu disse que pouco importa. Penso que seja isso o que quer dizer o ditado “toda hora é hora”. Toda hora é hora e a hora é sempre agora. Se posso dizer algo, não deixemos para depois, façamos as nossas reflexões e aprendamos com nossas dores, elas têm muito a nos ensinar. Não tenhamos medo de mudanças, até porque as coisas sempre mudam independente das nossas vontades, a vida é dinâmica. Sejamos a mudança que queremos, um dia de cada vez e devagar e sempre. Como diz a sabedoria popular, a direção na qual vamos é mais importante que a velocidade que imprimimos. E para finalizar, desejo a você todos os melhores clichês que essa época nos remete. Afinal, assim como você, quero que as boas mudanças predominem. Um feliz ano novo, de novo.

 

Editorial do Piagui impresso do mês de janeiro.

 

Daltro Paiva

Poeta e psicólogo.

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