Pessach: a fake travessia conservadora.

*Jefferson Fortes Ramos

      O conservadorismo fake é a prova viva de que o Brasil é um país de oportunistas e carreiristas na vida pública. Não é simplesmente ter uma assinatura de um curso online de filosofia do Olavo de Carvalho que vai fazer de certas criaturas novos pensadores, portanto, a inteligência humana não aprende por vencimentos mensais; bastaria ler o manual do Prof. Pier sobre o desenvolvimento da inteligência, para saber que não existe “nada no mundo que pode acelerar o aprendizado”(1), nem o próprio COF, ou muito menos ser porta-voz de tradições estereotipadas.

      Para o escritor e filósofo inglês Roger Scruton, “o conservadorismo é a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas”(2). Scruton está falando de bens coletivos, como: paz, civilidade, liberdade, leis e etc; essa turma neoconservadora ou conservadora fake, desconhecem esses valores e vivem do mais novo produto identitário da indústria cultural: a estética da neodireita: um pseudoarquétipo do homem respeitável.

      Para essa gente as instituições permanentes e o espírito público são secundários, mais importante é eleger um mito/presidente. Todo conservador sabe que “o labor da criação é lento, árduo e maçante”; tá na cara que essa mixórdia conservadora, que só conserva estereótipos de si, devido à confusão que fazem entre ideias conservadoras e o ilusório fio de continuidade entre eles e os homens do passado, são desdobramentos de uma arapuca ideológica que atrai especialmente muitos jovens; fazendo, por exemplo, de um professor defensor do estado mínimo, mas sustentado pelo estado crê-se o patriarca, o respeitável pai de família.

      Para quem se diz aluno do Olavo, a primeira lição era conhecer melhor a sua definição de filosofia, e ter um senso de encerebração que não fosse o eleitoralismo tosco dos sectos de Bolsonaro. Segundo Olavo, a ideia de que “a unidade do conhecimento está na unidade da consciência e vice-versa”(3), seria a síntese da sua filosofia.

      Nas palavras do próprio filósofo: “é abrir-se a todas as correntes de pensamento, a todos os valores que estejam em luta no seu tempo, deixar-se impregnar por eles sem nenhum julgamento prévio e, aos poucos, ir buscando alcançar uma atitude intelectual de conjunto que faça justiça aos vários pontos de vista, baseando nisso a construção da sua personalidade e o seu senso de orientação na vida e no conhecimento”(4).

      No Brasil, onde tantos, em compensação da insignificância das suas vidas, equivalem Scruton com Bolsonaro, a tentação de ser um avatar do conservadorismo é quase irresistível.

*Jefferson Fortes Ramos Nasceu em Parnaíba, cidade litorânea do Piauí, em 10 de maio de 1988, filho do educador físico Manoel Cesário da Rocha Ramos e da auxiliar de serviços gerais da rede municipal, Isabel Cristina Fortes Ramos.

REFERÊNCIAS

(1) Piazzi, Pierluigi Aprendendo inteligência : manual de instruções do cérebro para alunos em geral / – 2. ed. rev. — São Paulo: Aleph, 2008. — (Coleção neuropedagogia; vol. 1)

(2) Scruton, Roger. Como ser um Conservador, p 141.

(3)“Esboço de um Sistema de Filosofia”, apostila do Seminário de Filosofia [doravante referido como SdF].

(4) FACEBOOK. Página @Carvalho.Olavo. Disponível em: https://www.facebook.com/carvalho.olavo/posts/290786077740140. Acesso em: fevereiro de 2018.

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