Sob as cinzas de um carnaval de quarta, por Zilmar Júnior

Mais um ano se passou. Sim, aos que muito dizem que somente agora o ano, de fato, começa, eis a realidade batendo a porta outra vez. Restaram somente as cinzas das noites utópicas e fantasiosas estampadas, num desses anúncios baratos das organizações de santas mãos.

O cigarro, ainda acesso, sofre com o passar do tempo e respinga na imagem do “pelo menos” tiveram isso. Nada mais que uma supervalorização, vestida de unicórnio comendo um pão molhado e dançando num circo cheio de goteiras, que ao menos ousa ser, de longe, reformado.

O luxo, deixado na Avenida, só reflete o que o espelho da escola –que não sabe sambar– tenta amenizar. E veio de casa, como em tantos tempos: cantada, alegre e acostumada com o vômito do prazer.

Mas em nada isso mais interessa, o refúgio tirado, obrigatoriamente dos bolsos valeu a pena. Houve câmeras e aparecemos nela, mandamos até um alô para a Cidade Maravilhosa, e nem precisamos falar de Paris, que soube do ocorrido e também invejou ser quem ela não é.

Até segunda ordem, ainda é feriado, e ao som do brado, futuramente, dançaremos mais uma marchinha.

 

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