Unguento, por Morgana Sales

Qual figura angélica, o senhor diabo
Me tomado fez, em argento rijo
Espelhado, favo agridoce, amargo
Afogado, encontro redenção, martírio.

Pois se é ter-te: unguento, que não sara a alma
Mas acalma gélido pavor: o frio
Ser-te-ei o mais fiel dentre os escravos
Ser-me-á o mais cruel dentre os espíritos.

Do cardume vil que avilta os anjos
Infinitos sopros de nevasca deslumbra
Arremessa o pão que, quando me alimenta
Não possui presença ante a desesperança.

Se, quando criança, eu sonhava em ti
Infiel doença me será o avanço.

Morgana Sales

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